Carta a um amigo e irmão: com amor.

Diego Martins Hernandez era o nome da “peça” que aparecera em nossa tenra idade, talvez 6 ou 7 anos. Moreno, não muito alto e cheio dos cuidados. Este foi o contato inicial de uma amizade que, no tempo dos homens, contou 23 invernos e que, nesta mesma vida dos homens, findou há pouco tempo, de forma que, naturalmente e de toda espécie, foi inesperado. Em sua jornada, embora curta aos olhos daqueles que observam de “fora”, não deixou de contar com bons amigos e irmãos – incluo-nos nisso- e de aventuras de toda sorte. Riu, embriagou-se, chorou e riu novamente, pessoa de riso inocente e verdadeiro. Cedo, talhado para os gestos de homens: trabalhou e estudou enquanto pôde. Amou, sim, amou e viveu o amor. Sentiu e novamente chorou. Porque este é o encanto de nossas possibilidades. Sem atrasos, estudou e se formou. Medicina Veterinária assim condecorou-se. Animais e tratos com o campo eram o lugar-comum de sua vida. Desde cedo, pai chamava-o para o “camperear” do tradicional gaúcho residente da região dos pampas. Embora muitas vezes a contra-gosto (como algo normal em todo o ofício) adotou aquela particularidade da vida como uma constante em sua jornada. Duas lindas irmãs, um pai honroso e uma mãe dedicada. Nascido porto-alegrense, pousou por forças do acaso no último município do extremo oeste riograndense, Uruguaiana, fronteira com a Argentina. E, lá, provou da rusticidade com que o “índio” está acostumado. Noites sem fim, bebidas e belas mulheres traçaram seu itinerário. Tudo isso enquanto crescíamos e fortalecíamos nossa amizade. De fala mansa Diego, de apelido para os mais próximo de “moreno”, deixa em seu rastro uma família, uma esposa, amigos e colegas de ofício mas que ficará em nossas lembranças boas e fortes, pois só há boas lembranças dele, no dia 31 de agosto de 2011.

Disse-me certa vez: “Tchê, gringo, tenho que te dizer algo: se não fosse tu e o teu irmão eu não seria quem eu sou hoje. Obrigado tchê, de coração.” No final, eu é que te agradeço Diego por ter sido um amigo e irmão sem igual nessa nossa curta vida. De teus amigos e irmãos, com amor e de coração,

Dimitri e Leon

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  1. #1 por Atila em setembro 3, 2011 - 5:44 pm

    Bonito o gesto, mesmo não o conhecendo, após ler o depoimento acima, sinto-me como se tivesse perdido um grande amigo. Minhas considerações à família e amigos.

  2. #2 por paulo renato da costa em setembro 3, 2011 - 11:01 pm

    “Nossos filhos não são nossos filhos; são os filhos e as filhas da ânsia da vida por si mesma e, embora venham de nós, não nos pertencem; são como flechas que partem do arco e não voltam mais.” Nestas palavras de Khalil Gibran, se resume todo o mistério da descendência! Gostaríamos que nossos filhos jamais nos deixassem…Que pudéssemos tê-los sempre ao nosso lado…Mas eles partem para a vida. Saem de nós e não voltam mais! Realmente não nos pertencem! São os filhos da vida e a vida faz com eles o que bem quer! O Diego foi o meu filho moreno, e lamento ao extremo a passagem dele. O que consola, é a sua lembrança, que viverá sempre entre nós.

  3. #3 por Ádamo em setembro 5, 2011 - 1:58 am

    Não convivi com o Diego nem 0,1% do que o Dimitri e o Leon, até mesmo porque o conheci por intermédio deles pouco antes de sua partida de Uruguaiana rumo à formação universitária. Mas era uma figura de alegria estampada, contagiante, me recordo bem. E pelo que eu vejo da carta, a descrição é fidedigna, retratando com fidelidade aquilo que o Diego revelava até mesmo para aqueles que não lhe eram íntimos. Para os que compartilham desta crença, tem-se a boa esperança de ser bem recebido do outro pelo próprio moreno quando chegar a hora. E para os que não crêem, lamento a perda e recomendo que fiquem felizes por terem tido a oportunidade de viver com essa “peça”.

  4. #4 por Victor Camões em janeiro 3, 2013 - 12:52 pm

    Muito triste.

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