Suicídio

Egésia, filósofo representante do Hedonismo de característica cirenáica, tinha a alcunha de Peisithánatos, isto é, aquele que persuade a morrer. Assim, por ser defensor aberto e incentivador do suicídio, foi proibido pelo rei Ptolomeu de dar aulas, pois sua docência era tão convincente que muitos de seus alunos encararam a morte como poucos encarariam, fitamente, o sol do meio-dia. A posição de Egésia é uma das mais radicais. Assim, no sentido em que cultua o suicídio, morrer é libertar-se; portanto, para ele, “o verdadeiro fim da ação humana não é a satisfação do prazer, mas a exclusão da dor […], por quantos esforços o homem faça, jamais conseguirá escapar realmente à dor, à má sorte, ao absurdo, à ausência de sentido, à futilidade da felicidade […]”.

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Carta a um amigo e irmão: com amor.

Diego Martins Hernandez era o nome da “peça” que aparecera em nossa tenra idade, talvez 6 ou 7 anos. Moreno, não muito alto e cheio dos cuidados. Este foi o contato inicial de uma amizade que, no tempo dos homens, contou 23 invernos e que, nesta mesma vida dos homens, findou há pouco tempo, de forma que, naturalmente e de toda espécie, foi inesperado. Em sua jornada, embora curta aos olhos daqueles que observam de “fora”, não deixou de contar com bons amigos e irmãos – incluo-nos nisso- e de aventuras de toda sorte. Riu, embriagou-se, chorou e riu novamente, pessoa de riso inocente e verdadeiro. Cedo, talhado para os gestos de homens: trabalhou e estudou enquanto pôde. Amou, sim, amou e viveu o amor. Sentiu e novamente chorou. Porque este é o encanto de nossas possibilidades. Sem atrasos, estudou e se formou. Medicina Veterinária assim condecorou-se. Animais e tratos com o campo eram o lugar-comum de sua vida. Desde cedo, pai chamava-o para o “camperear” do tradicional gaúcho residente da região dos pampas. Embora muitas vezes a contra-gosto (como algo normal em todo o ofício) adotou aquela particularidade da vida como uma constante em sua jornada. Duas lindas irmãs, um pai honroso e uma mãe dedicada. Nascido porto-alegrense, pousou por forças do acaso no último município do extremo oeste riograndense, Uruguaiana, fronteira com a Argentina. E, lá, provou da rusticidade com que o “índio” está acostumado. Noites sem fim, bebidas e belas mulheres traçaram seu itinerário. Tudo isso enquanto crescíamos e fortalecíamos nossa amizade. De fala mansa Diego, de apelido para os mais próximo de “moreno”, deixa em seu rastro uma família, uma esposa, amigos e colegas de ofício mas que ficará em nossas lembranças boas e fortes, pois só há boas lembranças dele, no dia 31 de agosto de 2011.

Disse-me certa vez: “Tchê, gringo, tenho que te dizer algo: se não fosse tu e o teu irmão eu não seria quem eu sou hoje. Obrigado tchê, de coração.” No final, eu é que te agradeço Diego por ter sido um amigo e irmão sem igual nessa nossa curta vida. De teus amigos e irmãos, com amor e de coração,

Dimitri e Leon

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Perdoa-me, visão dos meus amores

Perdoa-me, visão dos meus amores

 

 

Perdoa-me, visão dos meus amores,
Se a ti ergui meus olhos suspirando! …
Se eu pensava num beijo desmaiando
Gozar contigo uma estação de flôres!

De minhas faces os mortais palores,
Minha febre noturna delirando,
Meus ais, meus tristes ais vão revelando
Que peno e morro de amorosas dores…

Morro, morro por ti! na minha aurora
A dor do coração, a dor mais forte,
A dor de um desengano me devora…

Sem que última esperança me conforte,
Eu – que outrora vivia! – eu sinto agora
Morte no coração, nos olhos morte!

 

Álvares de Azevedo

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Adeus, meus sonhos!

Adeus, meus sonhos!

 

 

Adeus, meus sonhos, eu pranteio e morro!
Não levo da existência uma saudade!
E tanta vida que meu peito enchia
Morreu na minha triste mocidade!
Misérrimo! Votei meus pobres dias
À sina doida de um amor sem fruto,
E minh’alma na treva agora dorme
Como um olhar que a morte envolve em luto.
Que me resta, meu Deus?
Morra comigo
A estrela de meus cândidos amores,
Já não vejo no meu peito morto
Um punhado sequer de murchas flores!

 

Álvares de Azevedo

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